Inverter é viver!

Yoga, pilates, treino intervalado, relaxamento reparativo…encontramos elementos de todas estas abordagens numa aula de Aerial, mas, sejamos honest@s, a maior atração desta modalidade tão versátil são as posturas invertidas.

Deixamos de nos pendurar por volta dos 12 anos, diz um estudo realizado, mesmo agora, junto d@s noss@os alun@s! A partir desta idade brincamos menos e, infelizmente, os riscos da vida adulta não passam por nos virarmos de cabeça para baixo. Talvez por isso, com menos tecido cerebral oxigenado, deixamos de ser tão criativos.

É aqui que as posturas invertidas ganham fãs: Ansiedade reduzida, superação de medos e fobias, confronto com a capacidade de fazer e consequente autovalidação.

Há muito por explorar no Aerial e, aqui n´O Estúdio, ajudamos cada um@ a encontrar a sua vertente favorita. Já experimentou? Qual é a sua?  

“Exercício suspenso. Voltar a um baloiço e perder o medo de cair.”

Fazer exercício pendurado num lenço sem pôr os pés no chão. A prática é recente mas parece que chegou para ficar. Seja na versão holística, que promete trabalhar corpo e a mente, seja em versão fitness, de simples exercício físico, uma coisa é garantida: a sensação de regresso à infância e ao divertimento puro. E não, não há perigo de cair.

Não sei fazer o pino, sempre tive medo de tentar fazer a roda e nunca gostei de baloiços. Digo a mim mesma que já sou demasiado velha para essas coisas, esquecendo que quando era nova já assim era. Mas sou rapariga de modas e quando há mais de dez anos o ioga conquistou o nosso território, fazendo crescer como cogumelos centros de prática em cada esquina, corri atrás da febre para experimentar de tudo um pouco. E fiquei apaixonada.
Com o exercício suspenso não foi diferente.

Yoga Suspenso Há países onde a prática não é novidade, com o nome de aerial yoga ou ioga aéreo (ou ainda fly yoga ou ioga antigravidade), a prática suspensa terá surgido na Índia, ligada ao Hatha Yoga, e terá já séculos de existência.
No ioga dito normal (Hatha Yoga) o praticante utiliza um tapete para realizar as posições onde o padrão é sempre “empurrar o chão”, tornando várias posições extremamente exigentes para algumas pessoas. No ioga suspenso, o trabalho é feito num tecido preso ao tecto, com capacidade para qualquer coisa como 1500kg, que suporta o corpo nas diferentes posições. A exigência continua lá, mas aliada a algum divertimento.
A prática começa no chão, como em qualquer aula de ioga. Faz-se o aquecimento com posturas aliadas à respiração. E só então depois o pano desce e começa a aventura.
Suponho que aconteça com a maioria das pessoas sentir algum desconforto – eu tive medo na primeira vez – principalmente nos exercícios que nos põem literalmente de pernas para o ar, tal qual num número de circo. Mas é exactamente nas posições invertidas que se tiram os maiores proveitos: descomprimir articulações, coluna vertebral, ancas, ombros, etc.

Uma aula de ioga suspenso tem quatro pilares: posturas de Hatha Yoga, desenvolvimento da condição física (potenciando o aumento da força, flexibilidade, equilíbrio, etc.), prática restaurativa (descontrair, relaxar, descomprimir, recuperar) e uma prática mais acrobática – aquela que mais medo me deu, mas de que mais proveito tirei.

Concluída toda a acrobacia, voltamos ao tapete para o relaxamento final. Logo ali sentem-se os benefícios de todas as fases da aula, sem excepção.

Pilates Suspenso – Passa por uma combinação de exercícios destinados a melhorar força, capacidade cardiovascular, postura, alongamento dos músculos e equilíbrio. Uma vez mais, tudo num lenço suspenso a centímetros do chão e com a mesma capacidade de peso.

A modalidade nasceu em 1999 pela mão de Christopher Harrison, ginasta e bailarino que descobriu no ioga a fórmula certa para recuperar de várias lesões profissionais e que mais tarde percebeu que os mesmos exercícios, com a ajuda de um tecido de seda suspenso, reduziam a pressão exercida nas articulações e que pendurar-se de cabeça para baixo beneficiava tanto o pescoço como a anca e a coluna pela descompressão.

Por ser uma modalidade com mais de mil posturas e movimentos (nem todos são praticados em suspensão), o exercício é bastante completo e funciona também como complemento para aqueles que praticam outro tipo de modalidades, como surf, ténis, karaté, etc.

Aqui o aquecimento não é feito no chão, tem logo a ajuda do hammock (pano) e os exercícios são, na sua maioria, baseados em posturas de ioga e pilates. Na segunda aula, já mais familiarizada com esta coisa de estar no ar e com as posições invertidas, consegui relaxar totalmente e até recuei no tempo. Mas desta vez sem temer o baloiço. E é mesmo em baloiço que se termina a aula. Depois de esticar aqui, virar ao contrário ali, usando o tecido como casulo e completamente deitada, fiz o relaxamento final.

Em qualquer das modalidades os instrutores garantem que é fácil ganhar entusiasmo com as conquistas logo na primeira aula, visto que há exercícios que aparentam grande grau de dificuldade mas se mostram simples de executar. Confirmo. A mim – a tal criança medricas – conquistou-me sobretudo o desafio enfrentado e superado de estar no ar e de pernas para o ar. Um reforço para o amor-próprio e a autoconfiança, sentimento, aliás, que levamos connosco para fora da sala de aula.

É certo que quem tenha um passado de ioga ou pilates tem mais facilidade nas aulas, mas o importante é que todos podem fazê-la, por ser fácil e adaptável a cada praticante. Outra vantagem é o número reduzido de alunos por aula (uma questão de logística), que permite termos o professor quase por nossa conta.

Consegui tirar proveito de todas as aulas e divertir-me imenso, mas percebi que o sentimento não é unânime. Há quem fique enjoado de início, quem se queixe de dores de cabeça no final. Mas há também entusiastas infantis como eu.

Fiquei com uma certeza: seja ioga suspenso, seja pilates suspenso ou outra modalidade suspensa (há uma grande diversidade no ar para todos os gostos), uma só aula é pouco para se usufruir totalmente das potencialidades dos exercícios e do divertimento. É preciso ganhar confiança e à-vontade para testar os nossos limites. E para isso é preciso tempo. Para mim, acredito, será agora uma questão de tempo até tirar teimas e experimentar o pino ou a roda. É o mínimo, depois disto”

In Jornal I – 2014

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